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quarta-feira, 9 de abril de 2014

Mulheres não se sentem mais seguras após errata do IPEA


 
Quando o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) admitiu, na última sexta-feira (4), um dos erros mais vergonhosos de sua história - o de ter trocado dados do levantamento sobre como os brasileiros percebem a violência contra a mulher -, minha primeira reação foi o alívio.
Afinal, não vivia em um país tão ruim quanto acreditava, já que, segundo a pesquisa, 65,1% de meus compatriotas não defendem que mulheres que mostram o corpo sejam atacadas. Qual é o número real? Perguntei: 26%. Repito: 26%. Ou seja, pouco mais de um em cada quatro brasileiros.
O dado ainda me chocava, mas o que me causou mais espanto foi a reação dos brasileiros, que celebraram dizendo que "denegrimos a imagem do Brasil no exteriorà tôa, já que não somos um país machista, afinal". Qual critério baseia o grau de exigência dessas pessoas com sua sociedade? Quando o brasileiro ficou acostumado a se contentar com - e, pior, celebrar - tão pouco?


Reprodução/Facebook
Um em cada quatro brasileiros ainda acredita que mulheres que vestem roupas curtasmerecem ser atacadas.Nana Queiroz, jornalista, comentando pesquisa do Ipea sobre estupro

Um em cada quatro brasileiros ainda acredita que mulheres que vestem roupas curtas merecem ser atacadas. Merecem. Verbal, psicológica ou sexualmente, não importa. Eles colocam essas mulheres como seres com menos direito à proteção da sociedade e do Estado.
Mais: não há errata que corrija a reação de alguns homens (e mulheres, infelizmente), à campanha "Eu não Mereço Ser Estuprada". Não há nada que anule as ofensas que muitas mulheres receberam ao postar suas fotos nas redes sociais, as ameaças de estupro (e até de morte) que foram feitas.
Não há errata que nos faça esquecer que uma parcela de nosso Congresso Nacionaldefende que temas de gênero são questões menores que não merecem estar em nosso Plano Nacional de Educação.
Não há errata que apague as 50 mil mulheres estupradas no Brasil em um único anoNana Queiroz, jornalista, sobre dados do último Anuário Brasileiro de Segurança Pública. 
FONTE: UOL. 

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